29 de abr. de 2008

O tempo é variável que não controlamos

Carlão da Publique

As linhas desta edição marcam minha décima contribuição à Folha da Cidade.No domingo da semana que escrevo esta coluna acordei em Porangaba, almocei em São Paulo e dormi em Goiânia.Aliás, é da capital de Goiás que escrevo e remeto para publicação mais esta “Andanças”.Hoje é terça feira, 06 de março.Amanhã, quarta, vou almoçar em Brasília e jantar em São Paulo.Na quinta, estarei em Araçatuba e quando você estiver lendo estas palavras, provavelmente já terei acrescentado mais algumas milhas às minhas andanças.
O mundo mudou muito nos últimos anos.Temos hoje “a nosso favor” uma infinidade de ferramentas que acelaram e facilitam nossa capacidade de trabalho, provavelmente fazendo a gente trabalhar muito mais do que antes.O avião, o computador, a internet, o celular, enfim, tudo isso anda fazendo com que a gente nem encontre mais tempo para um simples e bom bate papo ao vivo e a cores.É impressionante o tanto que vivemos correndo, especialmente no aspecto profissional da vida.

A busca do equilíbrio provavelmente deva ser o objetivo mais procurado hoje em dia por gente que trabalha muito, viaja muito, corre muito.Conversava esta semana com um amigo que se dizia descontente com a correria que tinha tomado conta da vida dele,por conta, diga-se de passagem , do “sucesso profissional”,fator que tem cobrado um preço cada vez mais alto das pessoas.

O dia só tem 24 horas, a semana só tem 7 dias , o ano só 365 dias.Uma hora tem apenas 60 minutos, assim como em um minuto não cabem mais do que 60 segundos. Contra essas variáveis não cabe nenhum tipo de apelo e é bom levar em conta que a vida não tem pit stop, não tem ensaio e segue adiante todos os dias.

Assim, é “urgente” que saibamos encaixar um tempo em nossas vidas para nós mesmos e para as pessoas à nossa volta, para a família, para os amigos, para o lazer, para o equilíbrio que cada vez mais a tecnologia(a mesma que tanto facilita a vida) sem querer pode estar nos tirando.
Pense nisso e mãos à obra. O tempo não para.

Carlos Alberto da Silva é técnico agrícola e jornalista, graduado na PUC-SP, em 1988. Fez Especialização em Marketing pela ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing.
Trabalhou como bóia fria nas férias escolares, entre 1980 e 1982 e também de janeiro a setembro de 1983.

Empresário, é Presidente e Fundador do Grupo Publique, a maior empresa de soluções de marketing para agronegócios do Brasil, que atua na área desde 1988.

Desde 2004, é criador de Gado Gir Leiteiro PO, na Rio Vale Agronegócios, em Porangaba-SP.

28 de abr. de 2008

Agradecer, sempre

Carlos Alberto (foto), o Carlão da Publique, criador de Gir e publicitário, escreve semanalmente uma pequena reflexão para a qual deu nome de "Andanças". Veja aqui um pouco de suas reflexões.


Andanças 37


Vivemos tempos de correria. De pouco espaço para a reflexão.Outro dia escrevi aqui que a chegada do outono era um tempo especial para sonhar, prometer, perdoar, voltar atrás, repensar, amar, viver.

Vejam que esqueci de um verbo fundamental: agradecer.

Agradecer por ter acordado agora cedo.

Agradecer que posso andar, ora estou ladeira acima, ora ladeira abaixo. A vida, ainda bem, não é sempre uma reta só.

Agradecer a benção divina de poder ouvir. Assim, ouço lamentos, elogios e críticas, que me conectam com o mundo lá fora. Gesto simples que me faz melhor e melhora o dia-a-dia de outras pessoas.

Agradecer que meus olhos enxergam a luz do Sol e que a luz da Lua e o brilho das estrelas ainda me emocionam.

Agradecer que quase tudo que sempre sonhei já pude realizar e que tantas outras que ainda não aconteceram foi por pura falta de sonho.

Agradecer pelas conquistas e vitórias que me sustentam a alma e que me empurram para o futuro.

Agradecer pelas perdas e derrotas que me avisam e me falam da importância da humildade e da perseverança.

Agradecer as poucas e valiosas horas de reflexão, que me levam ao encontro da excelência em tudo o que faço.

Agradecer os poucos momentos em que senti como humano, muito mais do que fiz, como máquina.

Agradecer que sempre tem alguém para me ouvir,pois é da alma humana precisar do carinho que a atenção alheia proporciona.

Agradecer a felicidade de ter sempre tantos e tão bons amigos por perto.

Agradecer mais e pedir menos.

Agradecer. Ponto.

Carlos Alberto da Silva, o Carlão da Publique, agradece sua paciência em ler esta coluna toda quinzena.

16 de mar. de 2008

Classificação animal e seleção do Gir

Por Sten Johnsson

Há um bom tempo acompanho o debate entre criadores de Gir. Enquanto os criadores da tendência Gir Leiteiro fundamentam a seleção basicamente no controle leiteiro, os criadores da tendência Gir Padrão explicitam sua preferência pelo tipo racial (notadamente morfologias da cabeça, chifres, e conjunto, baseados no padrão da raça importada da Índia).

Atualmente, após o crescimento da tendência Gir Leiteiro e o sucesso comercial baseado principalmente no controle leiteiro e testagem de touros, os criadores da tendência Gir Padrão começam a dar importância ao controle leiteiro e as provas de touros.

Muito se discute, muitas são as críticas a metodologia e ao sistema adotado no controle leiteiro e nas provas de touros.

Com freqüência, são citados e criticados os seguintes aspectos:
- ausência de critérios claros, solidamente fundamentados em parâmetros técnicos na escolha de touros para teste (marcadores moleculares etc.);

- pequeno número de touros, linhagens e criatórios participantes;

- número reduzido de rebanhos colaboradores nos testes de progênie;

- falta de homogeniedade dos rebanhos colaboradores no que se refere ao arroçamento, manejo e padronagem de matrizes;

- falta de distinção entre resultados obtidos nos rebanhos colaboradores Gir puros e os obtidos nos rebanhos cruzados (Girolando etc.);

- não existe um critério e um programa de classificação dos animais efetivo a partir de índices como: Sistema mamário, Tipo Leiteiro, Aprumos e Garupa - eu acrescentaria na raça Gir os índices de Desenvolvimento Ponderal (machos e fêmeas), precocidade (1º parto), e docilidade.

- inexistência de um banco de dados informatizado indexado abrangente, a partir do qual possamos identificar "famílias" maternas e paternas;

A impressão geral é que a seleção do Gir, embora tenha adotado algumas ferramentas importantes nas últimas décadas, ainda se dá em grande parte de forma empírica e intuitiva. Ou seja, acontece de acordo com a intenção individual de alguns criadores ou grupos de criadores e de acordo com os interesses comerciais ou ideológicos desses criadores.

Seleção genética é algo científico, e nas últimas décadas algumas ferramentas adotadas na pecuária viabilizaram um "novo tempo" (ou velocidade) nos ganhos seletivos. Além da inseminação artificial, a sexagem de sêmen, a transferência de embriões (TE ou FIV) nos permite potencializar incrivelmente a genética das fêmeas e conseqüentemente dos touros.

Dessa forma, é fundamental que venha a ser construída e adotada uma metodologia básica moderna que nos permita avaliar com precisão os resultados e traçar estratégias eficientes de cruzamentos.

Para alcançar esse objetivo penso que criadores e associações necessitam de uma entidade centralizadora, capacitada para gerenciar e desenvolver esse processo.

No Brasil, em minha opinião, essa entidade já existe - a Embrapa, e com alguma iniciativa ela poderia muito bem vir a ser o órgão aglutinador desse processo.

As demais entidades existentes, ABCZ, ABCGIL, ASSOGIR e outras (Girolando, por exemplo) bem como universidades (Viçosa, Jaboticabal, Rural RJ, e outras), igualmente importantes formariam um colegiado.

Regionalmente inclusive cooperativas, indústria de laticínos, frigoríficos, indústria de rações e de farmacêutica pecuária também poderiam colaborar.

Obviamente a questão de recursos financeiros para "bancar" um programa dessa estatura estaria no primeiro item da pauta.

Receitas governamentais de fomento certamente seriam importantes, mas outras fontes poderiam contribuir como percentuais de leilões e contribuição sobre venda de sêmen por exemplo, desde que adotadas com bom senso e em percentuais que não prejudiquem a viabilidade comercial dessas atividades.

Havendo retorno para os colaboradores, certamente não seriam poucos que voluntariamente iriam aderir a essa prática (industria privada inclusive). Os criadores de Nelore já praticam iniciativa nesse sentido e já perceberam que todos ganham.

A raça Gir, por excelência, é uma raça estratégica para a produção de leite e por que não carne nas regiões tropicais e no sistema "a pasto", pura ou em cruzamentos, contribuindo para uma relação custo x leite produzido x qualidade em patamares inferiores aos atualmente praticados na cadeia produtiva americana, canadense e européia que sem o uso intensivo de insumos derivados de grãos e silagens, ou no caso europeu sem subsídios, é inviável.

Novas fronteiras para o consumo de produtos lácteos, in natura e derivados no mundo, como também o incremento desses itens em países que já são grandes consumidores já é uma realidade. China, países asiáticos, América do sul e em um futuro próximo a África claramente indicam que leite e carne em breve se tornarão commodities tão importantes como os produtos graníferos e minerais.

Se os criadores e produtores brasileiros pretendem participar expressivamente desse mercado no futuro, com genética, com tecnologia e com produtos é imprescindível que hoje sejam tomadas medidas sérias no que se refere à seleção e tecnologia de produção, ou, corremos o risco de outros países como Austrália, África do Sul, Índia e outros países buscarem a genética que hoje possuímos, aprimorá-la e nos deixarem a "ver navios" com índices médios inferiores a 5 litros por animal.

Sten Johnsson
Rio de Janeiro - RJ
ejpecuaria@gmail.com

24 de fev. de 2008

Leite: sobe a produção e cai o número de produtores

Por Rosângela Zoccal1

Recentemente o IBGE publicou alguns dados preliminares do Censo realizado em 2006. Dentre os dados disponibilizados, um deles se refere ao número de estabelecimentos agropecuários por tipo de produção animal. Esses dados permitem avaliar o comportamento da atividade leiteira, nos últimos dez anos, com relação à produção de leite e ao número de produtores.

Segundo os dados de 2006, os estabelecimentos agropecuários no Brasil contabilizam mais de cinco milhões de propriedades, um aumento de 7,4% em relação ao Censo de 1996. O Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Roraima foram os estados que mais dividiram a terra. Em todo o País, o número de propriedades aumentou cerca de 40% entre 1996 e 2006. O aumento do número de propriedades se deve principalmente às divisões da terra por herança e pelos assentamentos que têm ocorrido em todo o país.

A atividade leiteira, em 1996, estava presente em 37,2% do total de estabelecimentos agropecuários brasileiros, em 2006 reduziu para 25,8%. Minas Gerais e Rio Grande do Sul possuem o maior número de propriedades com atividade leiteira: cerca de 210 mil unidades produtivas. Em seguida vem o Paraná e a Bahia, com aproximadamente 120 mil propriedades. Santa Catarina e Ceará contam com aproximadamente 85 mil unidades (Figura 1). O estado de Goiás tem o maior percentual de propriedades leiteiras em relação ao total de estabelecimentos agropecuários, com 68 mil propriedades, que representam 50% do total.

Os dados mostram, também, que na última década, em todo o Brasil, houve redução do número de propriedades que se dedicam ao leite, exceto no Distrito Federal, que aumentou 13%. Os estados que reduziram aproximadamente 65% o número de unidades leiteiras foram Amapá, Roraima e Maranhão (Figura 2). Paraná, Santa Catarina e São Paulo, que são estados importantes na atividade, reduziram cerca de 35% os estabelecimentos com essa finalidade.


No Rio Grande do Sul, considerando os valores absolutos, ocorreu a maior saída de produtores de leite (80.486 propriedades), passou de 285.061 unidades em 1996, para 204.575 unidades em 2006. Esse valor representa o desaparecimento de 8 mil propriedades por ano ou ainda, diariamente 22 produtores de leite saíram da atividade. O segundo estado com maior redução no número de propriedades leiteiras foi Minas Gerais, passou de 264.823 unidades 220.656 unidades, resultando em 44.167 estabelecimentos a menos durante o período.

A produção de leite no País foi de aproximadamente 25 bilhões de litros em 2006. Esse volume representa um incremento de 6,9 bilhões de litros produzidos no período de dez anos, com crescimento médio anual de 3,7%. Os estados do Acre, Pará, Maranhão, Rondônia e Santa Catarina foram os que mais cresceram: em torno de 150%. O Paraná, o Sergipe e o Amapá aumentaram, em média, 85% o volume de leite no período de dez anos (Figura 3). Durante esse dez anos a produção de leite reduziu em São Paulo, Ceará e Roraima.

O Brasil é o sexto maior produtor de leite do mundo. Entretanto, os sistemas de produção praticados em todo o território nacional apresentam grande variabilidade. No Brasil, o volume médio por propriedade passou de 28 litros/dia para 52 litros/dia, que resulta em um crescimento de 85,2%. Apesar do alto crescimento, a produção por propriedade ainda é muito baixa em relação a alguns países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a média supera 2 mil litros/dia. Na Nova Zelândia e Austrália, a média diária é próxima de 3 mil litros por fazenda. No Brasil, o mais comum são sistemas de produção extensivos ou semi-extensivos, com animais de baixa produção e pouca suplementação volumosa no período da seca.


O Estado de Goiás apresentou a maior média de produção de leite por propriedade - 105 litros/dia. Com valores próximo de 85 litros/dia estão São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal. O Rio Grande do Sul, que é o terceiro estado maior produtor de leite no Brasil apresentou, em média, 35 litros/dia por unidade produtiva.

O salto de 28 litros para 52 litros por propriedade por dia reflete uma especialização da atividade leiteira no País. Porém ainda há um longo caminho a percorrer para que a atividade leiteira no Brasil se torne eficiente e sustentável. É bom salientar que média não representa nenhum sistema, mas dá indicativo que mudanças ocorreram. Vale lembrar ainda que existem no Brasil produtores comparáveis aos mais modernos do mundo, com uso intensivo de tecnologia e elevada produção diária.

1Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite
Fonte: Milk Point

Veja esse e outros artigos em Girbrasil

16 de fev. de 2008

Otimismo sempre

José Olavo Borges Mendes • presidente da ABCZ

As previsões para a pecuária brasileira em 2008 sin­a­lizam para um ano de recuperação. Essa visão otimista é baseada em uma série de acontecimentos mundiais. Alguns indicadores de crescimento garantem a valo­rização das commodities em geral, incluídos aí a carne e o leite. Outro fator que terá um impacto importante no cenário agrícola nacional e mundial é o projeto americano de acrescentar etanol à gasolina. Devido ao fato do combustível ser feito à base de milho, isso levará à competição em matéria-prima com os confinamentos, o que certamente encarecerá os custos americanos de produção já bastante altos por lá. Isso irá favorecer o Brasil, pois a maior parte da nossa carne é produzida a pasto, ou seja, com custos menores.

Mesmo com a notícia de que a União Européia suspendeu a compra de carne brasileira devido às divergências em relação a lista de fazendas autorizadas a exportar, nós, produtores rurais, temos muitos motivos para continuar acreditando nessas previsões otimistas. Afinal, o mundo precisa de alimentos e o Brasil é o país mais capacitado para atender essa demanda.Mas para concretizar essas previsões precisamos fazer a nossa parte. Nós, produtores, temos de investir em sanidade e em certificação para garantir a qualidade da carne e do leite que produzimos. Já o governo brasileiro precisa promover o diálogo com a União Européia, pois só assim chegaremos a um acordo que favoreça os dois lados. A Europa depende da carne brasileira para abastecer seu mercado, que compra quase 25% de nossa carne exportada.

Outra demanda importante para este ano e que precisamos estar preparados para atender é a do mercado interno. O melhor poder de compra dos últimos 25 anos pode garantir mercado aquecido para a carne, sem os repiques de preços de antigamente.
Otimismo também no cenário internacional de genética. O ano de 2008 marca o início das exportações de embriões e a consolidação do mercado para animais de reprodução. O mercado de animais para abate deve bater novos recordes, superando a casa dos 350 mil bovinos. As exportações de sêmen, sementes e produtos veterinários devem crescer a taxas de 20% em 2008.E não poderia deixar de ser otimista também em relação às exposições. A primeira feira do ano, que será em fevereiro na cidade de Avaré (SP), já bateu recorde de inscrições de animais. Certamente um indicador de um bom ano para nós pecuaristas. Por isso, acreditamos em mais uma edição de sucesso da ExpoZebu, que este ano terá novidades na pista com o julgamento dos animais sendo comandado por um jurado apenas em cada raça. Essa decisão foi bem aceita pelas associações de raça e criadores.

Outra novidade para este ano em relação aos serviços prestados pela ABCZ é a realização de uma auditoria externa nas propriedades de associados da entidade. Uma empresa será contratada para verificar a possibilidade de melhoria dos nossos processos para dar mais legitimidade e verificar a consistência das informações prestadas pelos criadores. A medida tem como objetivo preservar a qualidade do Registro Genealógico e o valor desses animais no mercado.

Este ano nossa meta é aproximar ainda mais a ABCZ do sócio. Vamos continuar visitando os estados para ouvir as reivindicações dos criadores e também apresentar a todos os projetos da entidade para 2008. Já agendamos visitas aos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Nessas viagens pretendemos ainda firmar convênios com os governos estaduais. Assim como já acontece em Minas Gerais, pretendemos fazer parceria para implantar o Pró-Genética, programa para democratização da genética zebuína em todo o país, em outras regiões. Só assim os pequenos criadores terão acesso a reprodutores de qualidade para melhorar a produção de carne e leite de suas propriedades, pois o Pró-Genética permite o financiamento de tourinhos e com baixa taxa de juros e boas condições de pagamento. Queremos com todos esses projetos fazer de 2008 um ótimo ano para todos os associados da ABCZ.

15 de fev. de 2008

Considerações sobre o embargo europeu

BOAS E MÁS NOTÍCIAS DESTE INÍCIO DE ANO

Pedro Eduardo de Felício*

No país todo, o ano só começa quando o carnaval termina, entretanto, no setor da carne, 2008 começou em meados de 2007 quando estavam em gestação os fatos que fariam as manchetes dos jornais antes mesmo das primeiras batucadas do samba nas avenidas.Para ir logo à pior notícia, no dia 16.11.2007, o jornal O Estado de S. Paulo dava: "UE (União Européia) questiona controle do gado brasileiro - Técnicos europeus avaliam que o governo não tem controle sobre o trânsito de animais entre fazendas". Diante de um possível impasse, o MAPA (Ministério da Agricultura) prometeu à missão européia submeter uma lista de 300 fazendas aptas a fornecer gado aos frigoríficos exportadores. Exigir lista de fazendas acreditadas pelo governo? Seria este mais um desdobramento da ardilosa estratégia montada na Irlanda para tirar a carne brasileira do mercado europeu?Cabe a pergunta, porque os baixos preços do nosso produto têm provocado a ira da associação de pecuaristas irlandeses, que por duas vezes enviou ao Brasil seus representantes em visitas de caráter privado. Aqui eles estiveram fotografando gado em diversas fazendas.
Registraram tudo que pudesse ter impacto negativo nos seus parlamentares junto à UE. Depois, conseguiram o apoio dos criadores britânicos, e aprovaram uma moção contra o Brasil na Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, que passou a pressionar o comissário de saúde e, consequentemente, a missão oficial que aqui esteve em novembro último.Em seguida veio a suspensão das importações de carne bovina, no dia 31.01.2008, por "problemas técnicos e de fiscalização dos rebanhos do país". Soube-se, então, que o MAPA tinha enviado um relatório que recebeu voto de desconfiança em Bruxelas por conter 2681 fazendas acreditadas e não 300 como havia sido combinado.Repentinamente, a carne brasileira tornou-se um risco sanitário para as nações européias que sempre se deram bem com o saudável e barato produto da pecuária extensiva tropical. E o mais incrível é que nem mesmo houve, na América do Sul, um só caso da dramática EEB, o mal da vaca louca, que tanto abalou os países do Hemisfério Norte, principalmente o Reino Unido e a Irlanda.
Ironicamente, enquanto pressionava para banir a carne importada do Brasil, a Inglaterra foi atingida por aftosa em fazendas vizinhas do importante IAH (Instituto de Saúde Animal), em Pirbright, Surrey. O próprio IAH rapidamente revelou tratar-se de uma cepa de vírus utilizada na elaboração de uma vacina em seus laboratórios. O IAH que é referência mundial em aftosa falhou, deixando escapar vírus por um dreno de resíduos para incineração. A UE levantou em alguns dias o embargo às importações da Inglaterra, porque os surtos haviam sido circunscritos e logo debelados. O que é estranho porque, desde outubro de 2005, quando ocorreram os focos de aftosa no Mato Grosso do Sul, este estado, o Paraná e São Paulo estão fora das exportações para a UE, mesmo tendo sacrificado os rebanhos afetados como preconiza a OIE - Organização Internacional de Epizootias.O Brasil tem sim problemas na implementação do sistema exigido de rastreabilidade do gado (Sisbov), mas, ao contrário do que estão assacando contra o país, a carne exportada para a UE é tão ou mais segura que qualquer outra existente no mercado mundial, tanto em termos de sanidade dos rebanhos, como de inspeção higiênico-sanitária nos abates. Isto poderia ser facilmente comprovado por uma missão científica independente.Referindo-se às falhas no Sisbov, o editorial da Folha de São Paulo, "Embargo Europeu", do dia 04.02.2008, foi preciso: "De um lado, a UE cede às pressões protecionistas (...). Do outro, o Brasil também tem responsabilidade no episódio, pois deixa de tomar medidas básicas para tornar-se menos vulnerável a esse tipo de embargo".
Outra notícia ruim que correu o mundo, dando argumentos aos nossos críticos para que vilipendiem ainda mais a imagem da pecuária nacional, refere-se ao recente crescimento da devastação de florestas na Amazônia. Segundo a ministra Marina Silva (Meio Ambiente), o que está ocorrendo se deve ao aumento dos preços da soja e da carne. Sob todos os aspectos, o prejuízo causado pelo desmatamento adquire enormes proporções e a rastreabilidade do gado será utilizada para que os países importadores rejeitem a carne produzida na região Amazônica. A boa notícia é que um dos mais importantes grupos empresariais do país no segmento industrial de matadouros-frigoríficos, com sete unidades em operação em cinco estados (MS, MT, GO, MG e RO), está desde o início do ano implantando com sucesso uma nova tipificação de carcaças. O sistema, todo ele fundamentado em conhecimentos técnicos nacionais, leva em conta as características de peso e acabamento de gordura, que combinadas formam classes de maior ou menor interesse, ou de nenhum interesse para a indústria, dentro de cada gênero: machos castrados, não-castrados, e fêmeas. Apenas nas classes de maior interesse a maturidade dentária é utilizada para hierarquizar tipos e diferenciar preços, de modo a valorizar gado mais jovem com peso e acabamento desejáveis.
A originalidade dessa tipificação está: a) na combinação inédita no país de classes de peso com as de acabamento; b) na clara demonstração dos tipos que realmente interessam aos mercados interno e externo, e c) no modelo de relatório de abate fornecido que lista as carcaças pelo código da rastreabilidade, seguido dos critérios que levaram ao ágio ou deságio. Prevê-se que os relatórios serão utilizados pelos criadores como elemento auxiliar em seus programas de seleção de touros.Enquanto se concluía este texto, saiu na imprensa que o Ministério da Agricultura admitiu a existência de falhas na lista com 2681 fazendas acreditadas que foi enviada às autoridades da UE motivando o embargo. Consta que na nova versão restaram 600, ainda o dobro do que foi combinado no final do ano.Falta-nos algo mais do que ciência e tecnologia... Que pena!

*professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp e articulista da revista ABCZ
Fonte: Site da ABCZ

27 de jan. de 2008

Estrutura da população da raça Gir registrada no Brasil

Introdução

A raça Gir tem alcançado nos últimos anos, através da sua linhagem leiteira, crescente destaque dentro da pecuária leiteira nacional e internacional. A crescente demanda por material genético adaptado para produzir leite a pasto com qualidade, rusticidade, longevidade (dentre outras), aliado a um programa sério de teste de progênie, levaram o Gir Leiteiro a comercializar no ano de 2004 quase 600.000 doses de sêmen, segundo ASBIA. A raça Girolando (Holandês x Gir), que tem na sua formação esta importante raça zebuína também tem alcançado grande êxito comercial tanto no Brasil como no exterior o que vem comprovar a importância do Gir no cenário mundial.

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